Companhias aéreas versão 2.0?

Mês passado eu voei de avião pela primeira vez, na viagem que fiz para o Rio de Janeiro. Foi uma experiência bem agradável, principalmente na hora de decolar, quando dá para sentir aquela força contra o seu corpo como se você estivesse andando em um elevador muito rápido.

TAM A320

TAM A320. O avião que voei. O mesmo modelo do acidente da TAM em São Paulo.

Infelizmente não fiquei na janela, esqueci de trazer meu MP3 Player (celular) e para piorar os canais de áudio do avião não estavam funcionando (nem na ida nem na volta). Sem nada para fazer, comecei a pensar um pouco.

Lá em cima, sentado algumas horas ao lado de completos estranhos, refleti algumas coisas relacionadas às companhias aéreas e aos vôos comerciais.

Tudo começou com uma pergunta mental: “Qual será o critério usado para selecionar quem vai sentar aonde?”. Pelo que soube, se você estiver com muita gente (por exemplo, família ou amigos) e comprar as passagens com muita antecedência, dependendo da companhia aérea, talvez seja possível entrar em contato com ela para escolher assentos próximos. Mas só talvez. Normalmente, os lugares são selecionados de forma aleatória.

Funcionárias da GOL escolhendo quem vai sentar em que cadeira. Bem que elas poderiam ser aeromoças.

Funcionárias da GOL escolhendo quem vai sentar aonde. Bem que elas poderiam ser aeromoças!

“Aleatoriamente!? Não pode ser!”, indaguei mentalmente de forma bastante perplexa. Nunca gostei muito de decisões feitas de forma aleatórias, principalmente em coisas “simples” assim. Como ser extremamente racional, sempre tento procurar a ordem no caos e aperfeiçoar coisas que já existem. Claro que reconheço que muitas vezes isso não é possível, mas eu tento fazer o meu melhor.

Quando percebi, estava imaginando a seguinte cena histórica na minha cabeça: dois sujeitos sentados em um bar, discutindo uma idéia genial – criar a primeira companhia aérea da história. De repente um vira para o outro e fala: “Mas e aí, como vai ser feita a seleção de ‘quem senta aonde’?”. O outro pensa um pouco, mas já cansado, retruca: “Ah, sei lá. Tanto faz, depois a gente vê isso. Por enquanto podemos fazer de forma aleatória mesmo”. Essa é a idéia que eu tenho de coisas aleatórias. 8) Coisas mal acabadas.

Concentrei todo o meu QI e pus minha cabeça a pensar em um modo mais interessante do que simplesmente jogar dados e deixar na mão de Deus do acaso. “E se fosse em ordem crescente de altura, seria bem legal hein!”. Ehehe, brincadeira, juro que não pensei nisso. :lol:

“Ahh, bem que poderíamos se basear nos gostos de cada um!”. Minha idéia inicial era unir pessoas antagônicas, ao melhor estilo “os opostos se atraem”. Mas rapidamente lembrei que a capacidade da maioria das pessoas em manter uma discussão de forma saudável por minutos é quase nula, imagine durante horas. Ainda mais discutindo futebol, política e religião. “Melhor aproximar pessoas semelhantes”.

Imagine você em um vôo internacional de 9 horas, onde as pessoas ao seu lado estão ali não por acaso, mas porque de alguma forma elas são “compatíveis” com você. Talvez vocês fizeram o mesmo curso na universidade, ou talvez gostem do mesmo estilo musical, dos mesmos filmes ou até dos mesmos livros! Não seria ótimo? Amizades seriam criadas, casamentos arranjados e até “alma gêmeas” e “cara-metades” encontradas!

Se casar em um avião iria ser bastante comum.

Se casar em um avião iria ser bastante comum.

Tecnicamente, isso poderia ser implementado de várias maneiras. Desde um simples formulário online da própria companhia aérea, até acordos multi-zilhionários e parcerias com empresas/sites que obtêm esse tipo de informação.

Um acordo com as redes sociais (Orkut, MySpace, etc) poderia aproximar pessoas que estão nas mesmas comunidades ou tem amigos relacionados. Ou então uma parceria com o Last.fm, que é um tipo de comunidade virtual com foco na música. Você coloca as músicas que escuta/gosta e ele mostra pessoas com gostos semelhantes ao seu. Nos EUA, muitas pessoas compram livros e DVDs da loja Amazon, que poderia também fornecer informações bastante úteis!

Ainda mais uma parceria com a onisciente Google. Poucos sabem, mas o Google tem muito mais produtos do que a busca e o email. Eles tem um serviço de agenda/calendário, um navegador, editor de texto e planilha, álbum de fotos, messenger, tradutor, agregador de notícias, relatório para sites, sistema para criar blogs, YouTube, Orkut, grupos de discussão, pesquisa em livros, etc. É muita, mas muita informação. Cruzando os meus emails, as buscas que fiz, os vídeos que eu acessei, os sites que eu entro, meus compromissos, e outras coisas, dá para saber muita coisa sobre mim. O suficiente para achar uma pessoa com interesses semelhantes ao meu.

Google em 2084. Clique para ampliar.

Google em 2084. Clique para ampliar.

Como podemos ver, as opções  de onde obter as informações são enormes!

Mas como sempre, temos que ver também o lado negativo. O que poderia dar errado? Uma das únicas coisas que consegui pensar foi como deve ser chato tentar dormir em um vôo onde grande parte das pessoas está conversando (animadamente). Mas provavelmente as pessoas dormem em vôos porque não tem nada melhor para fazer,  e como você vai estar  conversando com o seu novo melhor amigo – a pessoa do seu lado – você não vai querer dormir de forma alguma. :wink:

Mas qual seria o incentivo às companhias aéreas para investir (mesmo que pouco) nessa nova forma revolucionária de voar? Simples, mais lucro. Mostre para os seus clientes que você consegue achar pessoas semelhantes de forma mais precisa que seus concorrentes que sua empresa vai ganhar fortunas!

Muito provavelmente as coisas realmente serão assim daqui a alguns anos. Sério.

Mas e aí, o que você achou? Tem alguma idéia para contribuir?

2 thoughts on “Companhias aéreas versão 2.0?

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